Por que sou contra a prorrogação da CPMF

Todo poder emana do povo.
Constituição Federal

Em uma recente pesquisa, a CNI/Ibope revelou que os brasileiros não suportam mais o peso dos impostos. Mais especificamente, 85% da população considera o valor das nossas taxas muito alto para a qualidade dos serviços públicos. A pesquisa foi feita com mais de 2.000 pessoas, em 142 municípios. A opinião dos brasileiros é clara e firme, porém, o Governo Federal parece não estar disposto a fazer a vontade do povo, como se o poder dele não emanasse.

Lula quer prorrogar a CMPF. Não se trata apenas de ser uma questão abusiva, mas também lógica. Se um brasileiro reclama por pagar impostos demais, os cálculos da Receita confirmam ano após ano que a queixa é procedente. Somado a isso vemos a precariedade dos serviços públicos oferecidos pelos governos em todas as esferas.

No último ano, os impostos pagos ao governos federal, estaduais e municipais alcançaram nada menos que 37% do Produto Interno Bruto. O que significa que 1/3 de todas as riquezas produzidas no Brasil foram para as mãos do governo por meio de tributos, que deveriam ser investidos de maneira planejada e competente.

Nossos governantes deveriam aproveitar melhor os recursos que já existem através de uma gestão pública eficiente e do combate ao desperdício e, especialmente, à corrupção. O relatório anual produzido pelo Banco Mundial confirma a deterioração do país nas mais diversas dimensões de governança. O nível de corrupção no Brasil é o pior em dez anos. E a corrupção é algo muito grave, pois o dinheiro desviado pelo superfaturamento de obras públicas e pela sonegação de impostos, por exemplo, é o mesmo que faz falta para investir em infra-estrutura e saúde pública. Além disso, estudos do Banco Mundial demonstram a existência de fortes laços entre altos níveis de corrupção e baixos índices sociais.

Ou seja, enquanto o governo não tomar atitudes verdadeiras e sérias para combater a corrupção, continuaremos padecendo com a ineficiência dos serviços públicos. E isso independe do aumento dos impostos. Não existe sentido em aumentar taxas para investir em melhorias para a população, se as instituições públicas continuarem tomadas pela ineficiência e atuando de forma descoordenada. O que falta aos governos é planejamento e austeridade. Priorizar os gastos nas áreas que a população mais necessita como saúde, educação, segurança e infra-estrutura, é o caminho mais justo para o crescimento, geração de empregos, e a diminuição da miséria do país.

* Ney Leprevost é deputado estadual

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *