Comissão de Saúde se mobiliza para derrubar veto ao projeto que garante mamografia no Paraná

O deputado Ney Leprevost utilizou a tribuna da Assembléia do Paraná nesta quarta-feira (4) para falar sobre a questão do câncer de mama e alertar sobre a necessidade urgente de maior oferta de exames de mamografia no estado.

Leprevost, que é presidente da Comissão de Saúde da casa, pediu aos seus colegas que derrubem o veto do governador Roberto Requião ao seu projeto que determina ao governo obrigatoriedade de oferecer serviços de mamografia na rede pública e clínicas conveniadas. Todos os anos, morrem 19 mil vítimas de câncer de mama. Quero acreditar que Requião tenha feito isso, não por uma questão de não acreditar no benefício do projeto, mas por uma má orientação. O Governo pode até estar prestando alguns exames de mamografia, mas ainda não é o suficiente, explica o deputado.

Leprevost convocou uma reunião da Comissão de Saúde já na terça-feira (10), às 11 horas, para retomar o debate sobre o assunto e aproveitou a explicação do líder do governo na Assembléia, deputado Luiz Cláudio Romanelli, para solicitar a transmissão do convite da audiência da comissão ao secretário de Saúde, Gilberto Martin: Convivo dia-a-dia com o nervosismo das famílias que enfrentam essa doença. Acredito que podemos fazer um debate muito profícuo nesta terça-feira, solicito ao deputado Romanelli que transmita ao secretário Gilberto Martin a realização do evento. Gostaria muito que essa lei fosse aprovada; esse projeto é inspirado na proposta do médico José Aristodemo Pinotti. Peço que tentemos derrubar esse veto, disse.

AUDIÊNCIA PÚBLICA MOBILIZA EM FAVOR DA DERRUBADA DO VETO: Ney Leprevost vai reunir a comunidade associações femininas, entidades médicas, grupos que representam as minorias para reiniciar o debate. O presidente da Comissão de Saúde também vai pedir também ao presidente Nelson Justus para que coloque o quanto antes em votação o veto de Requião ao projeto de número 55/ 2009.

As entidades Amigas da Mama, Rede Feminina de combate ao câncer, APACN, Conselho da Condição Feminina, ONGs pela defesa dos direitos dos homosexuais, diretores de hospitais e médicos oncologistas já foram convocados a participar.

O PROJETO: Previsão de exame radiológico da mama no serviço de saúde público para todas as paranaenses com mais de 35 anos, esse é o objetivo do projeto do deputado Ney Leprevost.

 Na época em que o deputado paranaense protocolou o projeto, o renomado médico especialista em oncologia ginecológica, hoje falecido, Dr. José Aristodemo Pinotti enviou uma mensagem apoiando e estimulando sua aprovação. Segundo Dr. Pinotti, a mamografia é um exame que todas as mulheres tem direito. “O projeto de Ney Leprevost é excelente, porém, é preciso fazer com que as leis sejam cumpridas”, alertou Dr. Pinotti.

 Na proposta Leprevost solicita que o Estado garanta o exame de mamografia gratuito para mulheres com idade superior ou igual a 35 anos. O projeto de lei estabelece ainda que homens, que por orientação médica necessitarem do exame, tenham o mesmo garantido pelo Poder Público. Para a aquisição dos aparelhos radiológicos, os municípios poderão firmar convênios com o Governo ou estabelecimentos privados. A fiscalização dos serviços conveniados ficará a cargo da Secretaria da Saúde.

 No Brasil, somente no ano de 2006, foram constatados cerca de 51 mil (cinqüenta e um mil) novos casos, sendo a maioria detectado em um estágio avançado, tornando praticamente impossível a sua cura. Dados dão conta que 2/3 (dois terços) dos tumores mamários, quando detectados, já estão em fase avançada, trazendo ao paciente e seus familiares uma série de conseqüências maléficas e um dispêndio muito grande aos cofres públicos. A mutilação do paciente através da mastectomia, muitas vezes bilateral, reações adversas quanto ao tratamento cirúrgico, radioterápico e quimioterápico e sofrimento psicológico do paciente e familiares, afirma Ney.

 Dados do Instituto Nacional do Câncer – INCA – e do Ministério da Saúde mostram que, em uma expectativa de vida de 70 anos, o total de mulheres atingidas pela doença tem uma perda em anos potenciais de vida na ordem de 483.028. Levando por base o PIB per capita do Brasil, no ano de 2005, que foi de US$ 6 mil e 771, chegamos a um montante de US$ 3 bilhões 270 milhões 582 mil e 588 perdidos a cada ano.

 Todas estas conseqüências e este dispêndio poderiam ser reduzidos radicalmente se o diagnóstico desta enfermidade fosse realizado precocemente e isto só é possível com o auxílio de um exame de mamografia.

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