A CARA BOA DA POLÍTICA

Ney Leprevost quer fazer do PSD um partido que seja referência de modernidade

Por BEATRIZ LOYOLA – 17/11/2011

Pesquisa recente e de boa fonte mostra que a população tem péssima imagem da política, dos políticos e das instituições políticas. Para a maioria, a política é um fosso onde se agitam pessoas que, no mais das vezes, cuidam dos seus próprios interesses enquanto discursam sobre a felicidade geral da Nação.

O povo tem razões suficientes diante dos escândalos para pensar que muitas vezes os políticos confundem o público e o privado e abrem ralos de corrupção por onde escoa boa parte do dinheiro público.

Mas nem tudo se resume a corruptos e suas artes neste vale de lágrimas. Há exceções honrosas e iniciativas novas que podem mudar o quadro e ajudar a aperfeiçoar nossa pobre democracia. Ney Leprevost é um desses homens públicos que se distinguem dos demais pela retidão de caráter e pelo estilo.

No Brasil é difícil encontrar um espécime da fauna política que tenha currículo e que não tenha folha corrida. Também é muito difícil ver quem se dedique ao trabalho sem apelar para o populismo chinfrim e estatólatra. Ney é uma dessas raras figuras da política com quem se pode falar sobre projetos, programas e planos que tenham relação direta com as necessidades sociais mais prementes.

Pois não há político nesta área do planeta que tenha mais projetos e obras realizadas na área da saúde do que o Leprevost. Há anos ele se dedica a todos os tipos de campanhas para manter o Hospital do Câncer em funcionamento. Foi também presidente da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas da UFPR. Travou duras batalhas pela expansão de serviços públicos de saúde. Tem contribuições significativas na área do esporte porque acredita que a atividade contribui para a saúde geral e afasta os jovens das drogas e de outros vícios.

Quem fala com Ney Leprevost não se perde no varejo das intrigas. Ele saca logo um projeto em andamento. Preocupa-se com o crescimento da criminalidade que atingiu índices nunca dantes experimentados no Paraná. Vai à luta. Convoca os policiais, identifica os pontos críticos, analisa o problema por dentro e com os especialistas para formular soluções práticas, emergenciais e viáveis.

Outro exemplo que dá bem a dimensão do trabalho de Leprevost. Em projeto de lei ele propõe a realização de teste de compatibilidade (tipagem HLA Human Leukocyte Antigen) no sangue coletado nos hemocentros paranaenses e o envio dos dados ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME).

A dificuldade de compatibilidade genética para encontrar doadores para o transplante de medula óssea uma vez que a compatibilidade é estatisticamente rara e demanda um banco de doadores muito grande o REDOME foi criado e é administrado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Diariamente a Hemorrede do Estado do Paraná recebe milhares de doadores de sangue, aos quais é oferecida uma bateria de exames gratuitos. A inclusão da tipagem HLA sob o consentimento do doador em termo assinado para fins de cadastro aumentaria sobremaneira o banco de doadores do REDOME. É óbvio que a tipagem HLA e o termo de consentimento assinado pelo doador não implicam em obrigatoriedade de doação de medula óssea no caso de encontrarem um paciente compatível.

Outro exemplo de conquista do deputado Ney Leprevost, que é presidente da Frente Estadual da Saúde e Cidadania, foi assegurar por lei o direito ao exame mamográfico radiológico gratuito para as mulheres no Paraná. Todas as mulheres do Paraná com mais de 35 anos de idade, mediante recomendação médica, poderão requerer na rede pública de saúde o exame mamográfico gratuito para prevenção do câncer. A lei de Leprevost também garante o mesmo direito aos homens que, por incrível que pareça, também podem ter casos raros de câncer de mama, independente de orientação sexual.

Outra luta permanente de Ney Leprevost é pela liberação rápida das emendas aditivas à proposta orçamentária estadual as chamadas emendas coletivas que foram apresentadas em novembro do ano passado para serem aplicadas no exercício de 2011 e que ainda não foram liberadas.

As 34 emendas aditivas ao orçamento do Estado para o ano de 2011, encabeçadas por Leprevost e conjuntamente assinadas por vários deputados estaduais, somam R$ 17.780.000,00 e destinam-se exclusivamente a hospitais, maternidades e Santas Casas do Paraná que atendem pelo SUS.

O atual governo do Estado herdou hospitais financeiramente doentes que precisam com urgência deste paliativo para adquirirem equipamentos essenciais e manterem-se ativos para que a população possa ser atendida com a eficiência e dignidade necessárias, comenta Ney.

Esse é o estilo que faz o homem parecer um estranho nesse ninho de mafagafes. Não é fácil. O político que se diferencia dessa forma costuma experimentar freqüente solidão entre seus pares. Muitas vezes a hostilidade de interesses contrariados. E o jogo nos bastidores não é para amadores. Exige uma percepção contínua dos movimentos e das cascas de bananas que aparecem pela frente. Nesse jogo bruto só sobrevivem os mais fortes e mais preparados. Para o bem ou para o mal.

Nesse emaranhado os políticos como Ney Leprevost se sentiam mal vestidos em qualquer dos partidos em funcionamento no Brasil. Todos, qualquer que seja a extração ideológica, da extrema esquerda ao máximo da direita, estão contaminados pela ideologia do patrimonialismo que constitui maiorias de apoio aos governos e se serve deles para os seus objetivos particulares.

O surgimento do PSD foi uma saída para quem não conseguia conviver em suas agremiações. O novo partido escapa dos rótulos tradicionais ao se propor a uma prática democrática e pragmática em favor de projetos do interesse social mais amplo. E a um duro e constante combate à corrupção.

Ney é o presidente do PSD em Curitiba, que logo passou a receber a adesão dos políticos de outros partidos que se sentiam desconfortáveis em seus partidos. Isso deu musculatura suficiente ao PSD para pensar nas eleições municipais do ano que vem com a chance de empinar candidatura própria a prefeito na capital. O candidato seria Leprevost.

Mas é bom observar que o PSD não será refúgio para qualquer um, o que repetiria a tradição e os vícios que pretende evitar. Há exigências rigorosas para quem pretende entrar no PSD. Uma das primeiras medidas adotadas por Ney Leprevost foi a de que a chapa de vereadores de Curitiba só aceite candidatos que se enquadrem na Lei da Ficha Limpa. Ou seja, que não tenham condenação criminal por órgão colegiado de juízes.

Se nós queremos ser um partido que apresenta postura diferenciada para a sociedade curitibana, temos que começar dando o exemplo dentro da nossa própria chapa, afirmou Ney.

Houve quem acreditasse que ele teria dificuldades para montar a chapa completa. Enganou-se. O PSD logo recebeu vereadores que pretendem renovar o mandato e mais uma penca graúda de candidatos, 136, que não estavam na política porque não confiavam nos partidos em funcionamento. Resultado: o PSD terá uma das chapas mais fortes para disputar as eleições para a Câmara de Vereadores de Curitiba no ano que vem.

Ney é um dos deputados mais jovens do Paraná. Talvez isso ajude a explicar o seu estilo. Ele pertence a uma geração que optou pela vida pública com o desejo de mudar o caráter da política. E seu sonho maior, ele confessa, é ainda ver uma pesquisa que mostre o contrário do que pensam hoje os cidadãos, para provar que há maneiras de limpar a área e, independente da filiação e das convicções, o jogo bruto da política seja respeitável pela honestidade e princípios de seus atores. Como se vê, Ney Leprevost é um homem otimista. Pois ele justifica sua tese com o argumento de que cada vez mais a população demonstra que quer eleger novos representantes que não tenham os vícios abomináveis da maioria de hoje. Ele próprio é um exemplo. Ainda raro, mas é um começo.

FONTE: http://www.revistaideias.com.br/ideias/materia/cara-boa-da-politica

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