Médico/deputado afirma na Comissão de Saúde que epidemia do crack no Brasil, só não é pior que a da Aids na África

Uma reunião de mais de 4 horas de duração, presidida pelo deputado Ney Leprevost, da Comissão de Saúde, serviu para autoridades estaduais e municipais exporem o que estão realizando para combater a venda e o consumo do crack no Paraná.
Na oportunidade, a delegada do Departamento de Combate ao Narcotráfico da Polícia Civil (Denarc), Ana Paula Cunha Carvalho, informou que, só neste ano, já foram apreendidos 59kg de crack em Curitiba.
O deputado federal Alceni Guerra, ex-Ministro da Saúde e criador da Frente Parlamentar Nacional de Combate ao Crack, afirmou que só existe uma epidemia pior que a do crack no Brasil, a da Aids na África. Guerra aproveitou a oportunidade para ouvir sugestões a um projeto nacional que está elaborando e que será votado na Câmara Federal, no mês de junho. Na estimativa do parlamentar, que é médico, o Paraná tem mais de 60 mil dependentes de crack.
O deputado Ney Leprevost, presidente da Comissão de Saúde, defendeu que a Prefeitura de Curitiba, em conjunto com o Governo Estadual e o Ministério da Saúde, crie a CLÍNICA DOS CRAQUES. A idéia é que grandes atletas sejam usados de espelho para dependentes de crack que desejarem abandonar o vício. O local contaria com uma ala hospitalar para desintoxicação dos dependentes de crack e com uma comunidade terapêutica, onde eles permaneceriam por um ano tendo atividades esportivas, recreativas, culturais, artísticas e profissionalizantes.
Acredito que a Prefeitura deva usar os craques contra o crack. Recuperar esses dependentes que estão nas ruas é uma questão de humanismo e de investimento na nossa própria segurança, afirma Ney.
O procurador de justiça e coordenador das Promotorias de Proteção a Saúde, Marco Antonio Teixeira, informou, durante a reunião, que por conta da falta de recursos devido ao não cumprimento da Emenda 29, os estados estão com poucos leitos hospitalares para a desintoxicação de dependentes químicos. Segundo ele, o Paraná não chega a ter a média de um leito para cada um dos 399 municípios.
Também participaram da reunião, a deputada Rosane Ferreira, representantes das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, o Coronel da Secretaria de Segurança Pública, Daniel Alves de Carvalho, Sonia Alice Maia, da Coordenadoria Estadual Antidrogas, a Tenente Coronel da Secretaria Municipal Antidrogas, Rita Aparecida de Oliveira, o vereador da Frente Parlamentar Contra o Crack, Tico Kuzma, o agente federal da Secretaria Antidrogas da Fazenda Rio Grande, Amilton Klein, e membros da Pastoral da Sobriedade, da ONG Fazendo a Diferença, da Associação João Ceconello e da Comunidade Terapêutica Missão Shalon.
A reunião foi produtiva porque conseguimos com que os diversos setores que lutam contra o crack dialoguem e estudem medidas conjuntas. Além disso, o deputado Alceni Guerra comprometeu-se a encampar na Câmara Federal, uma série de medidas sugeridas pelo grupo, conta Leprevost.  

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