Deputado diz que prefeitura pode, e deve, ajudar no combate ao crime.
Embora segurança pública não seja uma atribuição constitucional dos municípios, 26% da população curitibana acha que a área de atuação onde a prefeitura está mais fraca é o combate ao crime.
O deputado Ney Leprevost, que representa a grande Curitiba na Assembléia Legislativa, acredita que a prefeitura deve ajudar na prevenção e no combate ao crime.
Há 90 dias atrás ele apresentou ao prefeito Beto Richa uma proposta para criação da Secretaria Municipal anti-drogas. A nova pasta teria a função de realizar atividades preventivas sobre o uso e abuso de substâncias químicas, além de colaborar com a Procuradoria de Investigações Criminais (PIC) e as polícias com informações sobre o tráfico de drogas nos bairros da cidade. Ninguém sabe melhor quem são os chefões do tráfico de cada bairro do que as lideranças comunitárias. Os administradores regionais têm todas as condições de fazer um mapa detalhado do tráfico em cada região e apresentar essas informações para que o Ministério Público investigue, afirma Ney.
Na área preventiva Ney lembra que ainda como vereador apresentou e aprovou a Lei Municipal de Prevenção as Drogas, que estabelece a realização semestral de palestras sobre o uso de álcool, de drogas ilícitas e até de inibidores de apetite nas escolas do município. Infelizmente essa lei não está sendo cumprida, pois falta alguém que gerencie o programa. A Secretaria anti-droga poderá fazer isso. Senti que o prefeito gostou da idéia, acredito que ele irá levá-la para frente, conta Ney.
Outras medidas sugeridas pelo deputado que poderiam ser adotadas pela prefeitura envolvem a fiscalização de estabelecimentos comerciais, que são utilizados para práticas de crimes: a prefeitura tem instrumentos legais para jogar duro contra os hotéis de alta rotatividade do centro de Curitiba, onde se escondem ladrões e traficantes foragidos da justiça. As lojas que vendem peças de veículos furtados e produtos contrabandeados também podem ser fechadas pela prefeitura, informa o parlamentar. A cidade se São Paulo através de parceria com a polícia federal já está fazendo operações neste sentido.
Leprevost também sugere que a prefeitura invista pesado na revitalização de áreas degradadas pelo crime. Não é necessário muito dinheiro. A prefeitura pode caprichar na iluminação das ruas escuras e criar incentivos fiscais para que novos comerciantes se instalem nos locais que ficam mortos durante a noite. A Rua Riachuelo, por exemplo, que tem um comércio honesto durante o dia, mas tornou-se ponto de venda de crack durante a noite, tem que ser inteira revitalizada, defende Ney.
INTOLERÂNCIA
Leprevost estudou detalhadamente o Programa Tolerância Zero, que reduziu drasticamente os assassinatos em Nova Iorque e chegou a seguinte conclusão: aqui no Brasil falam muita bobagem sobre esse projeto. Os políticos confundem Tolerância Zero com intolerância. Só que intolerância alimenta o circulo vicioso do crime. O Tolerância Zero consiste em uso de tecnologia de informações e criação de novas alternativas para os pequenos infratores. Por exemplo: o pichador de muros pode passar a fazer parte de um projeto cultural de grafitagem. O jovem que fica fazendo arruaça nas madrugadas de final de semana, pode mudar de vida e ir jogar basquete ou vôlei em um ginásio 24 horas. Tudo isso é possível fazermos em Curitiba. Tem que ter vontade política!, garante Ney.



