Leprevost estuda projeto de lei para barrar empréstimos do BRDE à indústria do fumo

Temos que ter a coragem de enfrentar o poder da indústria tabagista, afirma Ney

 

O deputado Ney Leprevost, presidente da Comissão de Saúde Pública, estuda protocolar um projeto de lei que visa proibir os representantes paranaenses do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) de votarem a favor de empréstimos e financiamentos para a indústria tabagista, prática que tem sido usual, apesar de parte do dinheiro ser oriunda do FAT e dos recursos serem subsidiados.

 Além de todos os problemas de saúde provocados pelo tabaco amplamente divulgados pela mídia, a produção das folhas de fumo requer uso abusivo de agrotóxicos que provocam contaminação do solo, animais e rios, provocando danos aos ecossistemas. Estima-se que, todos os anos, 300 mil pessoas são envenenadas nas lavouras em todo o Brasil. No Paraná, 20% dos agricultores já foram vítimas de intoxicação e 54% pretendem trocar de cultura.

 Os problemas dos fumicultores não param por aí: segundo levantamento realizado com os produtores de tabaco do sul do país, 55% deles não usam roupas de proteção, 42% conhecem alguém com malformação congênita e 80% se desfazem dos resíduos inadequadamente. O Brasil é o maior exportador mundial de fumo, já que muitos países de primeiro mundo, a plantação de tabaco é proibida.

SOBRE O BRDE: O Banco Regional de Dsenvolvimento do Extremo Sul, BRDE, é uma instituição financeira pública que, junto com o Banco do Brasil e outras instituições, são agentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, que emprestam dinheiro público (80% desse dinheiro é disponibilizado por meio do FAT Fundo de Amparo ao Trabalhador).

O BRDE tem sua sede em Porto Alegre e mais duas agências: em Curitiba e Florianópolis. A diretoria é composta por dois representantes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o mesmo acontece com o Conselho de Administração.

O advogado Amadeu Luiz de Mio Geara, que representou o Paraná durante três anos na diretoria do BRDE que sempre votou contra a concessão de financiamentos as fumageiras, afirma ser um absurdo que um banco público financie a produção do tabaco. E é exatamente isso o que o projeto do deputado Ney Leprevost quer impedir: que o dinheiro público seja usado para prejudicar a saúde de produtores e consumidores de tabaco.  As autoridades do Paraná não devem se curvar ao poder milionário da indústria do tabaco. É fácil criminalizar o fumante, que é um dependente químico e que precisa ser tratado com respeito, sem preconceito. Não vamos nos intimidar diante do lobby das empresas tabagistas, afirma Ney.

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